3 de fevereiro de 2016

Resenha - O Doador de Memórias

"O Doador de Memórias" é um livro escrito por Lois Lowry, que foi adaptado para o cinema em um filme com o mesmo nome.

SINOPSE:
Em O doador de memórias, a premiada autora Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não há amor, desejo ou alegria genuína.

Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. 

Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. 

Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo.

Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar. - Fonte: Skoob


NÚMERO DE PÁGINAS:
208 páginas


LIDO EM:
1 dia e meio


RESENHA:
Conheci esse livro pela indicação de uma super amiga minha, eu estava com ressaca literária depois de terminar a série dos Instrumentos Mortais e desde o comecinho desse ano não conseguia pegar nada pra ler. Perguntei se ela tinha alguma coisa pra me indicar e ela falou desse livro.
Resolvi comprá-lo virtualmente na loja do Kobo Books e enfim comecei a leitura na madrugada do dia 02/02/2016. 

Para minha surpresa, o livro me cativou DEMAIS. A leitura flui de uma maneira, você não consegue parar pra nada! (Ainda bem que eu estava lendo de madrugada haha). 

A história começa com Jonas, nosso protagonista, com certo receio da cerimônia dos Doze (que é quando você completa doze anos). Essa cerimônia define que a criança passou para a fase adulta e um conselho definirá qual profissão vai ser treinada para seguir. Depois que se completa doze anos, ninguém mais conta os anos vividos, não existem aniversários no mundo criado pela autora. Na verdade, não existe nenhum tipo de comemoração, nem de Natal.

O interessante é que a cada ano até os doze, alguma coisinha muda para a criança. Por exemplo, uma menina deixar de usar fitinha no cabelo ou quando se chega aos nove, poder andar de bicicleta e ter uma bicicleta. Antes disso, é proibido.

As famílias não são chamadas de famílias, são chamadas de unidades familiares, onde existe um Pai, uma Mãe e duas crianças: um menino e uma menina. Apenas. Não existe o conceito de avó, nem de tios, etc. 

A unidade familiar de Jonas tem uma mãe, um pai e uma irmã, sendo ele o irmão mais velho. Mas o mais curioso é que as crianças não são filhas biológicas dos pais, existem mães biológicas apenas para dar a luz aos bebês que serão entregues à alguma unidade familiar da comunidade. Agora você deve me perguntar: "ué, mas não como assim tem os pais e eles não tem seus próprios filhos? Que maluquice é essa, Isabela?" Pelo que eu entendi do livro, existe uma coisa chama Atiçamentos, que é o desejo. Todos tomam um remédio pra inibir isso.


"Finalmente, a Mãe se sentou ao lado dele à mesa. 
- Jonas - disse ela com um sorriso -, sabe a sensação que você descreveu como "desejo"? Foi o seu primeiro Atiçamento. O Pai e eu já esperávamos que isso fosse acontecer em breve com você. Acontece com todo mundo. Aconteceu com o Pai quando ele tinha a sua idade. E aconteceu comigo também. Um dia vai acontecer com Lily. E, frequentemente - a Mãe acrescentou -, começa com um sonho."
- Capítulo 5


A comunidade é muito certinha, não existe baderna, não existem memórias e nem emoções. Pensa em um mundo sem memórias e sem emoções gente?? É quase impossível! O seguinte trecho exemplifica a falta dos emoções na comunidade:

"Esse novo Caleb era uma substituição. O casal havia perdido seu primeiro Caleb, um alegre e pequeno Quatro. A perda de uma criança era um fato raro, muito raro. A comunidade desfrutava de uma segurança extraordinária, todos os cidadãos vigiavam e protegiam todas as crianças. Mas, de alguma forma, o primeiro pequeno Caleb se afastara sem ser notado e caíra no rio. A comunidade inteira realizara a Cerimônia de Perda em conjunto, murmurando o nome de Caleb durante um dia inteiro, cada vez com menos frequência, em voz cada vez mais baixa, à medida que o dia longo e sombrio ia transcorrendo, de modo que o pequenino Quatro pareceu apagar-se gradualmente da consciência de todos."
- Capítulo 6


Voltando ao dia da Cerimônia, todo ano no mês de Dezembro, todas as crianças mudam de grupo. Um Três (três anos), vira um Quatro (quatro anos) e assim por diante. É uma cerimônia longa e cansativa até chegar aos Doze.
A aflição de Jonas só cresce quando a Anciã-Chefe pula o número dele ao determinar as novas funções para cada membro da sua turma. Por último, ela o chama e adivinha só??? Ele vira o novo Recebedor de Memórias! Ele fica muito surpreso e assombrado ao saber que vai sentir dor e irá precisar de muita coragem para ter essa função, porque apenas existem um Recebedor de Memórias em toda a comunidade.

Eu simplesmente fiquei com muita pena do Ancião que o treina, o atual Recebedor de Memórias. Ele parece ter uma vida tão sofrida, não deve ser nada fácil guardar milhares de lembranças, de tudo, inclusive guerras, fome, miséria.

Com o passar do tempo, o Recebedor vai doando suas memórias para o Jonas e ele vai descobrindo um mundo novo. Inclusive enxergar cores! (Imagina um mundo sem cores????). O garoto também vai descobrindo o que aconteceu com o Recebedor de memórias anterior à ele, a medida que o Ancião vai mostrando um pouco da sua vida. E que vida solitária gente!

Jonas vai aprendendo, descobre coisas muito desagradáveis sobre a Despensa, que nada mais é do que dispensar uma pessoa da comunidade. É algo muito macabro, sério. Eu não esperava por isso. Além de descobrir coisas como a Mesmice e sobre uma garota chamada Rosemary (o que mexeu comigo).
Ele vai criando coragem de uma tal maneira que chega um dia que parece que ele não vai aguentar mais viver a vida daquele jeito, sem emoções.

O final me surpreendeu bastante, mexeu com meus sentimentos. Foi lindo, merecia uma continuação. O que mais me tocou foi como as pessoas conseguem viver sem emoções e sem sentimentos. Eu sei que existem emoções ruins como dor e sofrimento, mas existem tantas outras lindas! E privar um mundo disso é realmente assustador.
Eu super recomendo esse livro! É demais, faz a gente refletir sobre a vida como ela é.


MINHA NOTA:
5 estrelas

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