1 de janeiro de 2014

Resenha - A Menina Que Roubava Livros

"A Menina Que Roubava Livros" é uma história emocionante escrita pelo escritor australiano Markus Zusak. A história fez tanto sucesso que no final de janeiro, vai estrear o filme nos cinemas. 

SINOPSE
A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.

Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.
A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer  pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.

NÚMERO DE PÁGINAS
A edição que eu li tem 310 páginas de pura emoção.

LIDO EM
4 dias (terminei hoje no Ano Novo o/)

RESENHA
Como ouvi muita gente falando bem desse livro, inclusive meu amigo que leu o livro nas idas e vindas do metrô da cidade, resolvi ver se era tudo isso o que falavam. Me avisaram que o final era triste e muito comovente, arrisquei do mesmo jeito, mesmo não gostando muito de finais tristes.

A verdade é que eu não me arrependi de ler!

A narradora da história, a Morte, tem uma simpatia sem tamanho contando os fatos da vida de Liesel Meminger, depois que Liesel lhe escapa. E vai se surpreendendo cada vez mais com os humanos e com a garota. Okay, se a Morte me ouvisse dizer que ela é simpática, ela iria protestar ahauahaush mas ela é! 

No começo do livro, ela faz uma pequena introdução dela e é assim que a Morte vai contando a história, com seu jeito bem humorado e observador, e também humano de uma forma ou de outra. 


"UMA CORDILHEIRA DE ESCOMBROS 
ONDE NOSSA NARRADORA APRESENTA:
ela mesma,
as cores,
e a roubadora de livros

MORTE E CHOCOLATE
Primeiro, as cores. Depois, os humanos. Em geral, é assim que vejo as coisas. Ou, pelo menos, é o que tento.

*EIS UM PEQUENO FATO*
Você vai morrer.
Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo."
- Página 2


Um dos primeiros livros que nossa ladra de livros roubou foi o "Manual do Coveiro", que caiu do bolso do coveiro quando este enterrou o irmão dela. Liesel, sua mão biológica e seu irmãozinho estavam indo para a casa dos pais adotivos, mas infelizmente o pequeno não chegou ao destino.
Liesel se sente muito triste no começo por ser abandonada pela sua mãe, mas as coisas vão acontecendo e ela percebe os motivos que a levaram a isso.

Com o passar do tempo que fui lendo, eu fui me apaixonando cada vez mais pelos personagens tão fortes e marcantes. Liesel, a nossa protagonista, evolui muito do começo do livro até o final, vai ficando cada vez mais corajosa ao ver as maldades de uma Alemanha totalmente nazista. E um dia ela percebe que são as palavras que mudam o mundo, que Hitler usava palavras. E que palavras são fortes e são tudo. A paixão pela leitura também vai ficando bem forte.


"Mas a coisa com que a mulher voltou não foi nada desse gênero. Quando voltou e parou, com uma firmeza incrivelmente frágil, ela segurava uma torre de livros encostados na barriga, do umbigo até o começo dos seios. Parecia muito vulnerável no monstruoso vão da porta. Cílios compridos e claros, e o mais ínfimo toque de expressividade. Uma sugestão. Que dizia: entre e olhe. 

[...]

Por alguma razão porém - mais provavelmente, a atração dos livros -, ela se descobriu entrando. O guinchar de seus sapatos nas tábuas de madeira a fez encolher-se e, ao atingir um ponto sensível, que induziu a madeira a gemer, a menina quase parou. A mulher do prefeito não se deteve. Só deu uma rápida olhada para trás e continuou andando, até uma porta de cor castanha. Foi quando seu rosto formulou uma pergunta.
-Está pronta?"
- Página 77


"[...] Ela o disse em voz alta, como as palavras distribuídas por uma sala repleta de ar frio e livros. Livros por toda a parte!"
- Página 78.


Vemos ela crescendo, com seu melhor amigo Rudy. O que eu posso falar do Rudy? No começo achei que ele era um pé no saco, sempre a insultando. Mas depois de várias situações, os insultos foram ficando carinhosos e acabei gostando demais do Rudy, vendo como ele pode ser um ótimo amigo. Pena que não deu certo para os dois ficarem juntos.

Hans e Max são outros dois personagens que me fascinaram. Hans sempre com seu acordeon, nunca tinha tempo ruim, por mais extremas as situações fossem. E Max... Ah... O Max... O judeu que ficou escondido no porão da casa dos Hubermann. A relação que ele tinha com a Liesel era tão maravilhosa e ao vê-lo indo embora, uma parte do meu coração murchou! 

Não vou falar os spoilers do final, mas foi triste mesmo. Sua paixão pela leitura a salvou.

Só sei que apenas quem leu o livro sabe todas as emoções que ele tem. Foi emocionante e lindo. Foram tantas cenas emocionantes, tantas lições aprendidas. Com certeza, esse é um daqueles livros que eu não vou esquecer nunca da história, por ser tão marcante e humano. Me fez pensar muito na vida e como temos sorte de não viver naquele tempo. 


"Provavelmente, é lícito dizer que, em todos os anos do império de Hitler, nenhuma pessoa pôde servir ao Fuhrer com tanta lealdade quanto eu. O ser humano não tem um coração como o meu. O coração humano é uma linha, ao passo que o meu é um círculo, e tenho a capacidade interminável de estar no lugar certo na hora certa. A consequência disso é que estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor e de pior. Vejo sua feiura e sua beleza, e me pergunto como uma mesma coisa pode ser as duas. Mas eles têm uma coisa que eu invejo. Que mais não seja, os humanos têm o bom senso de morrer."
- Página 281


É um daqueles livros pra dormir abraçada (como eu fiz várias noites com o Kobo - leitor de ebooks).


"Há uma multidão de histórias (um mero punhado, como sugeri antes) que permito que me distraiam enquanto trabalho, assim como as cores. Eu as apanho nos lugares mais azarados, mais improváveis, e me certifico de recordá-las enquanto executo meu trabalho. A Menina que Roubava Livros é uma dessas histórias."
- Página 309


MINHA NOTA
5 estrelas (é simplesmente lindo o livro)